Comentário: A casa da Invenção. p. 71
MILANESI, Luís. A casa da Invenção. 4. Ed. São Paulo: Ateliê. p. 71. 2003.
“As velhas bibliotecas municipais, por força da tradição literária subjacente num país com alto índice de analfabetismo, são assimiláveis, de modo destacado, porque servem à escola.”
Duas colocações podem ser discutidas neste parágrafo se analisadas pós abertura política no Brasil. A primeira, relacionada ao alto índice de analfabetismo. A segunda, de que as bibliotecas ganham destaque por servirem à escola. O índice de analfabetismo no país ainda é alto, mas sofreu alterações pós abertura política em 85. Este encontra-se numa escala de desenvolvimento que é possível prever a redução da quantidade de analfabetos nas próximas décadas. Portanto, o quadro apresentado, que por muito tempo persistiu no Brasil, não é o mesmo. Em relação a segunda colocação, o papel das bibliotecas que servem à escola vem sendo substituído pela internet. Data-se este acontecimento a partir dos anos 90, com a abertura do mercado de eletrônicos, iniciada pelo governo Collor. É mais agradável, levando-se em conta acomodação de espaço e serviços de atendimento ao usuário, que o estudante faça pesquisas para seus trabalhos escolares sem sair de casa, ou em uma lan house do bairro. As prateleiras empoeiradas das bibliotecas e a dificuldade para encontrar assuntos nos livros foram substituídas pelos serviços de busca da internet. Um simples clique traz uma infinidade de informações na tela do computador. A preocupação com a qualidade de conteúdo da informação não se discute neste modelo, pois necessita de um processo de entendimento cognitivo que, muitas vezes, está aquém do público que adquire o conteúdo. Processo que foi proposto pela TV com a propagação de informações indiciais nos telejornais e novelas no país. Também, impulsionado pela escola, preocupada na formação de uma quantidade de estudantes a fim de conseguir verbas do Estado. Com isso, é preciso pensar que as tradicionais bibliotecas necessitam de diferentes ações para estimular seus públicos nestes espaços de informação. As velhas iniciativas de manutenção do acervo em estantes, sem diálogo com a sociedade, estão fadadas ao fracasso e esquecimento. Mais que uma organização de livros, a biblioteca precisa se tornar uma geradora de idéias. Um espaço coletivo de criação.

