De que forma as iniciativas em bibliotecas e nos equipamentos culturais no Brasil sofrerão os impactos da crise econômico-financeira em 2009?

Por leonardoassis em quinta-feira 8 janeiro 2009

O ano que se inicia marca um momento de instabilidade no mundo causado pela crise econômico-financeira. Muitos setores da sociedade brasileira já estão sentindo os reflexos desse problema, sendo os bancos e a indústria automobilística os mais afetados até agora. A área da Cultura não está imune ao momento atual. Portanto, ela sentirá as ações do mercado financeiro, talvez não de modo direto, mas sim nos seus reflexos. Com isso, podemos fazer uma indagação: de que forma as iniciativas em bibliotecas e nos equipamentos culturais no Brasil sofrerão os impactos da crise econômico-financeira em 2009?

É sabido, de acordo com a grande imprensa- jornais, revistas, blogs, entre outros – que os orçamentos da União, bem como do Estado de São Paulo, foram reestruturados para suportar o impacto da crise financeira neste ano. Na área da Cultura tal ação será aplicada na forma de um menor repasse de verbas para bibliotecas, museus, centros culturais etc. No relacionamento com pessoas ligadas a administração de equipamentos culturais em São Paulo, já está claro que ações que puderam ser realizadas ao longo do ano passado não serão repetidas em 2009. Organização de encontros e palestras com personalidades de outros países, programas de exposições, mesas redondas de discussão, ou seja, realização de projetos que dependiam de um recurso monetário, que já era parco vindo do setor público e privado, tornam-se inviáveis na conjuntura atual. É difícil pensar que o pouco feito no Estado de São Paulo na área da cultura, será ainda menor nos próximos meses.

Uma saída para este momento a fim de manter e criar projetos à sociedade, em especial na área da cultura e dos equipamentos culturais, será criar uma estrutura de parcerias entre instituições. A divisão de custos entre os agentes culturais possibilitará uma diluição de gastos para que se promovam projetos culturais neste ano. É improvável que uma instituição banque sozinha a realização de um evento de grande porte na área da cultura. As incertezas do mercado financeiro impedem ainda mais que os recursos monetários sejam aplicados em áreas tidas por grande parte da sociedade como de “menor importância”.

No entanto, como bem trouxe o devaneio lançado pelo Prof. Teixeira Coelho no caderno MAIS da Folha de São Paulo, 28 de dezembro, a área da Cultura, se bem explorada, pode sim ser um dos setores de auxílio para alavancar a economia brasileira em 2009. Os agentes envolvidos na criação de projetos culturais são empregadores potenciais de uma parcela significativa de trabalhadores. Além disso, a área da cultura também é um mercado que gera consumo entre os cidadãos. São ainda inexploradas em nosso país muitas de nossas riquezas culturais. Para isso, nem precisam ser injetados tantos recursos financeiros em projetos. Boas ações em bibliotecas, museus, entre outros, explorando o trabalho com as comunidades locais, seus públicos, bem como os acervos já existentes, poderão fazer a diferença num estágio de aumento da taxa de desemprego da população e diminuição do poder aquisitivo do Estado brasileiro. Tais iniciativas deverão ser realizadas aplicando-se todo capital criativo e intelectual dos agentes culturais. Atenta-se, neste momento, para pensar menos na técnica do fazer, mas sim no público a que se destina o projeto. Sem que isso aconteça, as mídias da sociedade industrial continuarão tomando o espaço dos equipamentos culturais, sendo que elas já fazem parte de nosso eletrodoméstico cotidiano.

Se por muitos anos a área da cultura, em especial a biblioteca, vem sendo deixada de lado das luzes do capital financeiro, chegou a hora dos informadores e agentes culturais trabalharem com as suas criatividades para colocar em circulação os tesouros de nossa cultura à sociedade. Um momento de re-tribalização das pessoas e usos da cultura, pois o capital do consumo está menor.


Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS para comentários sobre este post. TrackBack URI

Deixe um comentário